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No DF, homens pagam até R$ 16 mil para fazer implante de barba

12 de maio | 21:12

Cirurgia dura seis horas, usa fios de cabelo e é feita com anestesia local. Homens contaram usar xampu e óleos específicos para cuidar do visual.

Presença certa em filmes e passarelas e alvo de campanhas apaixonadas na web, o visual barbudo passou a integrar a lista dos pedidos mais frequentes nos consultórios de cirurgia plástica de Brasília. Dois a cada dez homens que optam por implante, segundo os médicos, querem ostentar um rosto mais peludo. O procedimento dura até seis horas, envolve 12 profissionais de saúde, é feito com anestesia local e custa entre R$ 8 mil e R$ 16 mil.  

A procura cresceu em 2014, depois de a intervenção virar moda na Europa, Estados Unidos e Ásia. A faixa etária dos interessados é ampla, com homens entre 25 anos e 65 anos. De acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, 40% dos 5,6 mil especialistas existentes no país são habilitados a fazer procedimentos capilares. O número de médicos que trabalha especificamente com implante de barba ainda não foi levantado, já que a operação é recente.

Ex-presidente da entidade e referência no assunto, o cirurgião plástico Carlos Alberto Calixto conta que realiza em médias duas operações de implante de barba todos os meses. A intervenção fica atrás apenas da de cabelo e é seguida da de sobrancelha, mesmo considerando pacientes femininas.

 

Carlos Alberto Calixto, cirurgião plástico de Brasília especializado em implante de barba
(Foto: Raquel Morais/G1)

"As coisas estão tão globalizadas, de tão fácil acesso a todos, que as pessoas veem o que é tendência em Londres, Rio de Janeiro, Nova York, São Paulo, Goiânia e querem repetir. Artistas todos usam barba, e isso estimula muito, principalmente os mais jovens", conta o médico.

De acordo com ele, os homens que o procuram se queixam em geral de possuir poucos pelos na face ou de ter uma barba "rala" após machucados e queimaduras. Os interessados não são, no entanto, submetidos à cirurgia de imediato. A primeira consulta dura no mínimo uma hora e serve para avaliar as condições dos pelos e explicar o passo a passo ao paciente.

Depois, ele é submetido a exames para descobrir se ele tem alguma doença ou se passou por alguma situação que provocou a diminuição dos fios. "Pode ser uma anemia, pode ser estresse, pode ter histórico de diabetes, pode ser um mau funcionamento na tireoide. É preciso saber se houve enfraquecimento do pelo. Temos que examinar as possíveis causas da rarefação ou mesmo da queda. Muitas vezes isso pode ser reversível. Se for, não fazemos a cirurgia, tentamos tratar com remédio", explica Calixto.

Depois de excluir as outras possibilidades e optar pelo implante, o homem passa por nova análise para determinar a região de onde os pelos serão extraídos. A transferência mais comum é do couro cabeludo, mas também é possível extrair os fios do tórax, braços, pernas e área pubiana.

"Tem que analisar a área doadora para saber se é saudável, forte, se tem densidade capilar suficiente para sucesso do implante", diz o médico. "Uma cirurgia dessas é muito complexa, de muitos refinamentos. O número de unidades foliculares que necessita para a cobertura da barba é de, mais ou menos, 1,5 mil, que é semelhante ao de uma calvície de grau médio. A gente tem que dar naturalidade associada à densidade capilar. Tem que dar volume na barba, com aspecto bem natural."

Administrador do grupo "Barba em Foco", o técnico em informática Caique Silva conta que adotou o visual depois de um fato inusitado ocorrido há quatro anos. "Um dia estava corrido no trabalho e iria sair com a namorada. Cheguei em casa, não tive tempo de fazer a barba e fui encontrá-la meio barbudo. Chegando lá, pedi desculpas por não estar com o 'rosto lisinho', e ela sorriu dizendo que estava bem mais lindo daquele jeito e não era para ficar sem barba nunca mais."

O jovem, de 23 anos, afirma que não hesitaria em investir no implante caso tivesse dificuldades para manter o rosto mais peludo. Ele diz considerar que o visual dá mais seriedade e confiança ao homem, além de atrair o público feminino.

"Nesse mundo das barbas há uma grande polêmica entre tamanho de barba; mais rala, mais cheia, mais curta, maior. Cada um tem um jeito e gosto de usar, porém tem pessoas que têm a barba muito falha e que não ficam com uma aparência legal. Então, acho superválido o investimento, afinal cuidados com si próprio são de extrema importância para autoestima", disse aoG1.

O designer gráfico Victor Cordeiro de Melo, de 22 anos, tem opinião parecida. Ele é responsável pela página Manual do Barbudo, que em duas semanas acumulou 485 seguidores.

"Acho que o implante vale a pena, sim, porém existem alguns métodos que podem ser tentados antes de se decidir a fazer o implante, mas em último caso acho que vale, sim, investir. Da mesma forma que alguns homens calvos buscam implantes, os que têm falha na barba e querem ter uma barba completa devem sim procurar um especialista nesse tipo de implante", opina.

Melo conta que fundou a página pela necessidade de conteúdo em português que ajudasse barbudos. O rapaz ostenta o visual há três anos e diz que não tem nenhuma outra motivação além de se sentir melhor assim do que com o rosto sem pelos.

Procedimento
O cirurgião plástico Carlos Alberto Calixto afirma que os pacientes costumam estar aptos à cirurgia em até 72 horas após a consulta na qual se define a área de onde serão extraídos os fios e o modelo de barba que será implantada. Também é possível fazer a intervenção na região do cavanhaque, do queixo e da costeleta.


Equipe multiprofissional envolvida em cirurgia de implante de barba em Brasília
(Foto: Carlos Alberto Calixto/Arquivo Pessoal)

"Tem que seguir a linha de implantação da barba, bem natural. Tem que parecer com todas as pessoas que tenham barba, não pode parecer artificial, como se fosse um desenho", explica.

A técnica utilizada é a de implantação de unidade folicular por unidade folicular. Além do fio, cada uma tem musculatura, glândula sebácea e gordura. Não é aconselhado usar pelos sintéticos nem de outras pessoas, já que ambas as possibilidades diminuem as chances de naturalidade e aumentam as de reações alérgicas e rejeição.

Depois do procedimento, os pacientes costumam apresentar inchaços leves. De acordo com o médico, a situação é normal, e os homens já podem voltar ao trabalho no dia seguinte. Já a barba só deve ser feita 15 dias após a cirurgia.

"Além disso, três meses depois os fios implantados caem naturalmente, mas depois crescem aos poucos.É como se houvesse uma troca de pele, mas a depois tudo volta ao normal. Tem outra coisa importante: o paciente só vai absorver o resultado mesmo aos seis meses. Os cabelos não começam a crescer todos de uma vez, não é homogêneo o crescimento. É preciso esperar esse tempo para normalizar", explica o especialista.

Calixto diz ainda que quem se submete ao implante não precisa fazer manutenção no futuro. É preciso, no entanto, ficar atento ao enfraquecimento dos pelos. "Com o passar dos anos, os cabelos vão seguindo a genética da área doadora. Se na área doadora vai ficando rarefeito, a barba também vai ficando. A tendência é que com passar dos anos haja um enfraquecimento do cabelo a partir dos 50 anos. Quando chega aos 90 anos, já está muito enfraquecido, isso é normal."

Outros cuidados
O responsável pelo Manual do Barbudo, Victor Cordeiro de Melo, conta que recebe com frequência mensagens pedindo ajuda na compra de produtos para manutenção da barba. O objetivo é em geral, é auxiliar no preenchimento do rosto. Muitos dos conselhos são baseados nas experiências dele.

"Procuro cuidar muito bem da minha barba para que ela cresça de forma saudável, assim como muitos fazem com o cabelo. No dia a dia costumo usar shampoo e óleo específicos para barba, deixando-a bem hidratada e macia. Hoje já existem empresas brasileiras especializadas em produtos para a barba, o que ajuda muito os barbudos", afirma.

Segundo o designer gráfico, o visual para muitos tem a ver com a necessidade de autoafirmação. O problema é que a opção também costuma ser alvo de julgamentos ruins.

"Ainda existe um preconceito muito grande com o pessoal que usa barba, principalmente com quem tem barbas maiores, como eu. Existem várias situações em que notamos uma certa diferença de tratamento, seja no trabalho, no atendimento em lojas, em bancos. Vemos isso em todo lugar", diz o jovem. "Existem alguns apelidos muito conhecidos por nós, como terrorista, Papai Noel, Raul Seixas, dentre outros, que às vezes fazem parte de brincadeiras entre amigos, mas em alguns casos é algo bem inconveniente."

Administrador do grupo Barba em foco, Caique Silva defende que homens de barba estão "a um passo à frente de quem tem o rosto liso". Ele conta que sempre passa cremes, loções e xampus próprios na região, além de procurar deixar os pelos no mesmo tamanho.

A psicóloga Laiz Lima afirma acreditar que as redes sociais contribuam para a imposição do padrão de beleza atual, incluindo a importância de que os homens se posicionem sobre o que gostam e passem mais a se cuidar. "Penso que se cuidar seja extremamente saudável, mas tudo tem de ser comedido. Sou a favor das pessoas buscarem estar bem consigo mesmas", declarou.

De acordo com a especialista, o uso da barba costumava estar historicamente ligado a classes ou grupos sociais. "Hoje vejo a barba como complemento do look, algo que vem a agregar o todo. Acredito que as mulheres, muitas vezes, veem a barba como sinônimo de maturidade."

A percepção é semelhante à da jovem Tatiane Félix, de 21 anos. A garota, que diz ter uma admiração "fora do comum" por barbas, conta que na adolescência acreditava que isso teria a ver com o fato de eles em geral serem mais velhos.

"Para mim, a principal diferença que a barba faz é a aparência. É como se transformasse totalmente um homem em um garoto, quando é tirada. Acho que ela acrescenta um ar de maturidade e seriedade para quem usa", explica.

Tatiane conta que já brigou com amigos para que não mantivessem o rosto "pelado" e que muitos hoje afirmam gostar do visual mais cheio por causa da insistência dela. A jovem afirma ainda que daria apoio se um amigo se mostrasse realmente interessado em fazer o implante.

Fonte: G1/DF

 

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